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Cide menor não freia reajuste


08/02 - Nem a redução de 25% para 20% na mistura do álcool na gasolina, nem a subtração, a partir de hoje, de R$ 0,08 (oito centavos) na alíquota da Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) incidente sobre a gasolina, serão suficientes para frear o aumento nos preços dos combustíveis no País.

A avaliação, que contraria as expectativas do governo e da população, é do vice-presidente do Sindicato dos Proprietários de Postos de Combustíveis do Ceará (Sindipostos), Guilherme Meireles. Segundo ele, os preços da gasolina não irão baixar R$ 0,08, como defendeu o ministro da Fazenda, Guido Mantega, na noite da última quarta-feira, "porque não subiram". "A gasolina continua a ser vendida nos postos pelos mesmos preços da semana passada", justifica.

Conforme explicou, a redução na Cide virá apenas para neutralizar o aumento que ocorreria com a redução temporária de 5% de álcool, da gasolina. Portanto, a medida será inócua para o bolso do consumidor. Pelo contrário, de acordo com Meireles, os preços da gasolina podem até subir, "se as distribuidoras acabarem com as promoções realizadas em janeiro, para compensar queda de até 15% nas vendas". Questionado porque esses descontos não foram repassados para o consumidor, ele disse que foi, mas apenas por alguns postos.

"Só têm descontos (nas distribuidoras) os estabelecimentos que baixarem os preços na bomba", expôs Meireles, justificando que nem todos os estabelecimentos aderem às promoções, por não avaliarem vantajosas. "Nem todos acham que vale à pena, porque as margens (de lucro) caem, apesar do aumento no volume das vendas", alegou o empresário.

Álcool - Da mesma forma, ele avalia que os preços do álcool hidratado também não serão reduzidos, apesar da perspectiva de elevação de quatro milhões de litros de álcool no mercado, decorrente da redução de 5% de etanol na gasolina.

Com menos álcool na gasolina e maior oferta do produto, a tendência, com base na lei da oferta e da procura, seria de retração, ou pelo menos, manutenção dos atuais preços finais. Essa tese porém , não foi aceita pelo empresário. Para ele, a saída seria o governo Federal intervir nas usinas produtoras de açúcar, para "obrigá-las" a continuarem fornecendo a mesma quantidade de etanol e não ampliarem a produção de açucar para exportação, cujo preço está até 67% mais alto. "Ontem (5ª feira) comprei álcool na minha distribuidora a R$ 1,70, o litro, e hoje (ontem), a R$ 1,95, como posso continuar a vender a R$ 1,89", perguntou Meireles, transferindo paras as distribuidoras, usinas e governo a responsabilidade da alta nos preços dos combustíveis.

GNV - Quanto a alta de 1,92% no preço do gás natural veicular, ele disse que pediu à Sefaz redução de R$ 0,06, no ICMS do produto, para evitar o reajuste.

"O secretário ficou de estudar", antecipou.


Diário do Nordeste - CE


Data: 08/02/2010 Versão para impressão