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Discurso do Dr. Jorge do Carmo no Encontro Nacional do TRC

Seminário - Encontro Nacional do TRC - Impactos na Infra-Estrutura

 

 

Cumprimento às Autoridades

 

 

Mais da metade das riquezas produzidas no Brasil é transportada através do transporte rodoviário. Dada relevância deste modal na matriz de transportes, buscou-se relacionar informações, análises e dados dispersos em publicações disponíveis sobre este segmento.

 

Assim sem pretender ser exaustivo busca-se abordar questões importantes para o sistema, fundamentalmente, a situação da malha e seus efeitos impactantes nos custos operacionais.

 

“Degradação” é a palavra recorrente para retratar o estado lastimável da malha Rodoviária Brasileira. Isto resulta em elevação dos custos, dos níveis de acidentes, de roubo de cargas, inquestionavelmente relacionado com outros tipos de delitos que transformam o Pais em ilustre refém das circunstâncias a há algumas décadas.

 

É indiscutível a importância deste segmento para o transporte de carga, entretanto o alcance da eficiência, passa pela adoção de uma visão holística que privilegie a multimodalidade, estratégia fundamental para o planejamento logístico.

 

A opção pelo modal rodoviário enquanto preferencial para o transporte de carga é um fenômeno que se observa a nível mundial desde a década de 50, tendo foco na expansão da industria automobilística associada aos baixos preços dos combustíveis derivados do petróleo.

 

No Brasil, além da estreita correlação com a implantação da industria  automobilística, a mudança da capital para o Centro-Oeste acompanhada de um vasto programa de construção de rodovias, se constitui em outro episódio que deu sustentação, prioridade e quase exclusividade às políticas de transporte voltadas para o modal rodoviário pelo menos até a década de 70.

 

CUSTOS DE TRANSPORTE E EFEITOS IMPACTANTES

 

A situação da malha rodoviária Brasileira se contribui numa parcela relevante para a  perda de produção e elevação do custo operacional dos veículos.

 

Estudos da CNT identificam, nas condições de transporte terrestre (rodoviário e ferroviário), perdas da ordem de até 6% da safra de grãos e que, além disso, as rodovias em mau estado elevam, em média em 40% o custo operacional dos veículos.

 

Em outra vertente, a concentração extremada do transporte de carga no modal rodoviário, concorre para a elevação do seu custo médio quando comparado com os custos praticados em outros paises de dimensões similares às do Brasil. Tal custo no Brasil, situa-se na faixa de US$ 0.020/tku, enquanto que nos Estados Unidos, Canadá e Rússia ele fica entre US$ 0.009/tku e US$ 0,012/tku.

 

No exercício de 2004, a demanda por transporte se situou  na faixa de 725 bilhões de toneladas-quilometros. Neste cenário utilizando os preços médios praticados nos paises citados, comparados àqueles exercitados no Brasil, chegar-se-ia a economias da ordem de US$ 6.90 bilhões/ano, valor que teria importante desdobramento na redução dos custos dos produtos brasileiros, habilitando-os a um desempenho mais favorável no mercado internacional.

 


RESTAURAÇÃO/MANUTENÇÃO

 

Para efeito de dimensionamento dos custos envolvidos em restauração e manutenção de rodovias utilizam-se via de regra, os seguintes pressupostos:

 

- Custos de manutenção de rotina, estima-se em US$ 3.00 mil/kilometro.quando se considera a extensão da malha pavimentada de 160 mil quilômetros implicaria num custo anual de US$ 480 milhões.

 

- Custos de restauração – estimados em US$ 120 mil/quilometro. No caso de rodovias federais pavimentadas – 56 mil quilômetros. Dentro dos critérios amostrais da CNT 67,7% estão em estado critico, ter-se-á então, um custo global de US$ 4.55 bilhões.

 


EFEITOS AMBIENTAIS E ENRGETICOS

 

As distorções da matriz de transporte no Brasil promovem também efeitos ambientais e energéticos. Considerando que o transporte de carga consome basicamente diesel e que boa parte das emissões de derivados do carbono provém deste combustível, pode-se ter uma indicação dos efeitos ambientais provocados pelo segmento rodoviário de cargas através das seguintes informações.

 

- Em 1970, as emissões de derivados do carbono provocados pelo setor transporte correspondia a 29,3%, e em 1990 esse valor corresponderam a 32,9%;

 

- O efeito estufa – 55% correspondem as emissões de CO2.

 

Quanto ao aspecto energético, o óleo diesel representa parcela importante do consumo de energia.

 

O segmento responde por 89% do consumo do diesel.

 

Cumpre assinalar que as 37 milhões de toneladas equivalentes do petróleo (TEP) consumidas no setor de transporte representam 57% do consumo de derivados do petróleo no Brasil, o que mostra que existe uma forte pressão desse setor sobre a conta do petróleo.

 

A degradação da malha rodoviária, contribui decisivamente para a elevação dos custos operacionais dos veículos, do tempo de viagem, e para os riscos de acidentes, espelhando uma incontestável redução nos investimentos.

 

A infra-estrutura de modo geral e o setor de transportes em particular já apresentavam gargalos que foram agravados pela falta de investimentos, associados ao esgotamento do instituto do serviço publico concedido à iniciativa privada.

 

O instituto do serviço publico concedido à empresa privada prestou incontestáveis e notórios serviços à economia nacional.

 

Um novo instituto deverá tomar o seu lugar, tornando-se claro que esse novo instituto deverá ser a Concessão de Serviço publico à iniciativa privada Nacional.

 

Cumpre ressaltar que, a despeito das melhorias que poderão ocorrer na malha rodoviária do Pais, o setor de transporte deve ser visto de forma holística, se o objetivo a ser alcançado for a melhoria de usa eficiência. Nesse sentido, não há como dissociar o planejamento de transportes do planejamento econômico e social do pais, o que envolve decisões quanto à localização industrial, ao suprimento de insumos e à distribuição de produtos, tudo relacionado ao planejamento logístico.

 

Por oportuno, cumpre referir que ainda são insipientes os esforços voltados para a aplicação da multimodalidade, o que poderia resultar em substanciais reduções de custo, tendo em vista que a ineficiência da infra-estrutura provoca custos extras em todos os segmentos da economia.

 

 

Fonte: ABTC

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